/cc/ - Copi Cola

Ctrl-C, Ctrl V
Name
Email
Subject
Comment
File
Password (For file deletion.)

File: 1534843397303.jpg (142.52 KB, 800x1349, 1534528464358.jpg)

 No.39

A Copa do Mundo de 2002 foi simplesmente o melhor torneio de futebol que eu já tive a honra de ver na minha vida. Eu costumo chamá-la de “A Copa da Zebra”.

Aliás é até um sacrilégio chamar isso de Copa, porque isto é uma epopeia. A Copa 2002 é um filme com enredo eletrizante, sem nenhum tipo de “barriga” e que deixa você preso na poltrona até os créditos finais.

Tudo começa no fatídico fim da Copa anterior, em 1998. Ronaldo, mesmo sendo um mostro naquela Copa, deixou a França com sеntimеnto de dívida. Todos olhavam para ele com aquele olhar de “você amarelou”.

Ronaldo, fоdа que é, estava claramente obstinado a não levar desaforo para a casa novamente. Começou de imediato a comer a bola de manhã, de tarde, de noite e de madrugada.

O problema é que nessa verve, ele ultrapassou suas limitações físicas, o que muitos achavam que tinha lhe custado a carreira. Quem viu suas duas contusões no ano 2000 apostava com veemência em sua aposentadoria precoce. Se houvesse volta, seria volta para jogar no nível Mirandinha atacante do Corinthians ou Deyverson do Palmeiras, para ser mais contemporâneo.

 No.40

Como desgraça pouca é bobagem, ao passo que o Ronaldo se quebrava, França e Argentina, nossas duas principais rivais, tomavam conta do pedaço. Já estavam encorpando em 1999, mas em 2000 começaram a virar bichos-papões. O Brasil, em contrapartida, colecionava vexame atrás de vexame, Olimpíadas 2000, Copa América 2001, Copa das Confederações 2001… Derrotas e mais derrotas para adversários bisonhos como Paraguai, Bolívia, Equador, Austrália, Honduras e Chile. (Na época, esses times eram compostos em sua grande maioria de jogadores que jogavam em nível semiprofissional). Fora empates contra times como o Peru.

França e Argentina lideravam com folga o ranking da FIFA. Paralelo ao pináculo da classificação da entidade, jogavam muita bola. Em seus jogos, mesmo com times mistos, dominavam os adversários. Quando Zidane jogava era espetáculo. Quando Crespo entrava em campo era caminhão de gols.

Até este momento, tudo parecia litеrаlmеntе perdido. Inclusive a classificação para a Copa do Mundo, que se encontrava ameaçada pela primeira vez em sua história.

 No.41


Eis que surge a figura do SALVADOR DA PÁTRIA. Luiz Felipe Scolari era o melhor treinador do Brasil na época, disparado. De métodos pouco ortodoxos como incentivar seus zagueiros a dar porrada nos atacantes adversários, ele já havia sido contactado várias vezes, mas sua esposa, Olga, não queria que ele assumisse a seleção. O Brasil estava numa merda tão grande quando Leão saiu, que se ele recusasse, iria ser colocado no balaio dos culpados de uma possível desclassificação, então não houve como recusar. Fora a gorda oferta financeira.

Felipão entrou e a coisa imediatamente não mudou. Ele foi trabalhando, mas tudo no início foi como sempre para a seleção tanto quanto para ele. Brigas com jogadores, Antônio Carlos Zago e Romário foram limados porque traíram sua confiança. Seleção perdendo para o Uruguai e logo em seguida caindo para Honduras na Copa América. Mas chamavam a atenção duas mudanças drásticas: o Brasil jogava no 3-5-2 e os convocados, mesmo sendo brucutus nojentos como Marcelinho Paraíba e Cris, não mudavam.

O Brasil começou a renascer num amistoso marcado às pressas contra o Panamá, para arrumar o time emergencialmente, que a seleção canarinho venceu de cinco a zero. Foi o primeiro jogo que o time jogou bem e não parou mais de apresentar evolução.

 No.42

Passado o susto de ficar de fora da Copa, havia começado na cabeça de Scolari a etapa de construir um time pica para a competição. Foram realizados vários amistosos em 2002 contra times absurdamente fraquíssimos (apelidados pelo jornalista Jorge Kajuru de Bambala e Arimatéia) onde foram convocados só jogadores que jogavam em times do Brasil. Nessa empreitada surgiram do nada nomes como Gilberto Silva, Kléberson, Ânderson Polga e Kaká. Até antes desses amistosos, esses jogadores JAMAIS haviam vestido a camisa do Brasil. JAMAIS.

O primeiro jogo onde as novas caras foram mescladas com os grandes craques consagrados foi um amistoso contra a Iugoslávia. Para esse jogo, Felipão reconvocou Ronaldo, e foi chamado de maluco por todos. Jornalistas, torcedores de boteco e até mulhеrеs. Lembro que minha irmã deu uma entrevista para a BAND na época, afirmando para a repórter Fernanda Bak que Scolari deveria ser internado em um sanatório por apostar no “ex-jogador Ronaldinho”.

Nas convocações finais, o Brasil foi ajudado pela incompetência de Marcelo Bielsa e a inexperiência de Roger Lemerre, respectivamente treinadores de Argentina e França. “El Loco” deixou de fora Redondo, Saviola e Riquelme para levar Almeyda, Claudio Husaín e Caniggia com quase quarenta anos. Foi prejudicado pelo destino ao ter que trocar o Sensini, arrebentando no Parma, pelo fraquíssimo Pochettino, por contusão. Já Lemerre só teve a baixa de Pires, mas foi burro botando Zidane, vindo de temporada desgastante na Europa carregando o Real, para jogar todos os amistosos. Contra a Coréia do Sul, Zizou ruiu.

 No.43

Começa a Copa e os treinadores das favoritas não abandonam suas vontades de fazerem merda: Lemerre insiste com Trezeguet e Henry, dupla que nunca deu certo junta, com Cissé voando nos treinamentos. Bielsa troca Crespo, o maior atacante dos quatro anos anteriores, pelo idoso Batistuta. Só podia dar em merda, e deu.

Ao passo que Lemerre e Bielsa cagam, Felipão só acerta. Seu esquema de três zagueiros é um acerto. Lúcio, Edmílson e Roque Júnior são pura raça. Cafu e Roberto Carlos nunca foram de marcar, e parecem pintos no lixo. Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho são feitos para jogar uns com os outros. Duas apostas antes machucadas e um jogador que foi reserva as eliminatórias quase inteiras. Gilberto Silva e Kléberson, seus revelados em amistosos, jogam por música. Marcos é paredão como sempre. A convocação não foi bem feita, foi perfeita.

3-5-2 aliás é o mesmo esquema da Coréia do Sul, que venceu seus jogos com nada de roubo e empurrada pela torcida. Os erros de arbitragem foram normais, nada que não aconteça em um final de semana num Brasileirão. Guus Hiddink se mostrava antenado. Um Felipão holandês. Qualquer analogia a roubo é um meme criado por um vídeo com uma música de Kings of Westeros chamada “A song of ice and fire”. Coisa de babaca italiano chorão.

A Itália foi mal convocada, era um time retranqueiro, que jogava feio, empatou com o México que foi eliminado pelos Estados Unidos e Giovanni Trapattoni é um técnico com competência insuficiente para passar mais de dez meses em um clube. É o Dunga italiano.

 No.44

Foi incrível ver Senegal, inexistente para o mundo do futebol, e Coréia do Sul, que eu só havia visto na vida ser eliminada pateticamente na primeira fase de tudo, com futebol para chegarem até a final. Ver a Alemanha que o Beckenbauer falou que era o pior time da história chegar na final e só perder porque o Ballack deu mole. Foi mаrаvilhоsо ver a Turquia chegar e França e a Alemanha ficarem pelo caminho, junto com Inglaterra, Espanha e amarelões em geral que se acham o supra-sumo do futebol. Romário é meu ídolo, mas foi sensacional ver ele engolir a sua empáfia também.

Coréia do Sul de 2002: o melhor time taticamente falando da década de 2000-2010.

DAE-HAN-MIN-GOOK!



[Return][Go to top] [Catalog] [Post a Reply]
Delete Post [ ]